O Blog Fiel aos Fatos: A reação da sociedade brasileira: a opinião de um General.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A reação da sociedade brasileira: a opinião de um General.

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CARLOS ALBERTO PINTO SILVA
Diante da corrupção generalizada nas últimas duas décadas e ante a falta de atuação das autoridades constituídas, produto da omissão, de conluios acontecidos e da impunidade, tem florescido no Brasil a deterioração dos valores habituais da nossa democracia, com o desrespeito descomedido aos patrimônios público e privado, e o avanço da corrupção endêmica.
A ausência de reação da sociedade brasileira deixa a impressão de que ninguém se importa com o que vem acontecendo no País, e que não existem autoridade e comprometimento dos poderes constituídos.
É importante ressaltar que o que está ao nosso redor não determina o que vemos: quem faz isso é o nosso interior, através de paradigmas, experiências, dogmas e a conjuntura que vivenciamos.
Quem você é determina o que você vê e a forma como você pensa, fala e age. Sofremos, ainda, uma influência extrema do meio em que vivemos e da personalidade e do comportamento das pessoas que nos cercam. Daí dois questionamentos: 
  • Como o seu grupo social está enxergando o Brasil hoje?
  • E os demais grupos da sociedade brasileira como estão enxergando o Brasil hoje?
O que não já faz parte do nosso interior ou do interior do nosso grupo não nos perturba. Quando as pessoas se sentem atingidas de alguma forma e revidam, é porque algo repercutiu em seu interior ou no interior do seu grupo.
Então o que fazer para que a sociedade brasileira deixe a letargia com que se habituou a conviver com as questões nacionais e se sinta atingida pelo atual momento político, econômico e social do País?
Somente fazendo os fatos repercutirem no interior da nossa sociedade, e não fora dela, haverá uma reação.
Quando a sociedade esta satisfeita, raramente surge suficiente motivação para mudar. Muitas vezes não há se quer um imperativo de mudança percebido e as pessoas costumam ficar tão profundamente voltadas para suas necessidades que não se elevam acima dos seus interesses próprios, esquecendo-se das suas responsabilidades sociais e políticas.
O limite entre a resistência e a concordância com a transformação (Reação) social e política necessária pode ser mais tênue do que se parece.
A atividade política marcada pela relação sociedade, partidos políticos, Executivo e Legislativo da mostra de estar chegando ao fim, a lógica política vem sendo superada pela ação crítica da sociedade através das redes de informação e sociais (a moderna propaganda boca a boca) que não respeitam limites ou hierarquias, e avançam numa velocidade que o Estado não consegue acompanhar e dar respostas apropriadas.
Observa-se, na atual conjuntura brasileira,a presença de um Ponto de Ruptura (falta de ética na política, má gestão e corrupção generalizada), que possibilita uma Transformação (Reação) que faça com que uma mudança (social, política e ética), radical, seja esperada, e com o passar do tempo aconteça e vire numa certeza para nossa sociedade.
Os pontos de ruptura são momentos de grande sensibilidade da vida nacional. Devemos acreditar que, na maioria das vezes, uma situação ou um momento específico (Ponto de Ruptura) acontece para reunir pessoas respeitáveis que acreditam na Defesa do Estado Democrático de Direito, da Ética, e da Honestidade na vida pública.
O Ponto de Ruptura desafia a sociedade brasileira a ver, pensar, agir, se indignar, e a reagir.
A reação tem que começar em algum lugar e de alguma forma, não fique apenas no previsível, se formos iguais manteremos a rotina política e social de sempre, e jamais daremos o grande salto político e social que o Brasil precisa.



(Carlos Alberto Pinto Silva, general de Exército da reserva; ex-comandante de Operações Terrestres (COTer), do Comando Militar do Sul (CMS), do Comando Militar do Oeste (CMO); membro da Academia Brasileira de Defesa)

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